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João Francisco Maia foi detido pela Polícia no dia em que a Selecção Nacional de Futebol defrontou a squadra azurra no Stadium de Lisboa, em 18 de Junho de 1925

Este curioso episódio aconteceu a 18 de Junho de 1925, dia em que a Selecção Nacional de Futebol defrontou a sua congénere italiana no Stadium de Lisboa. Na manhã dessa quinta-feira, João Francisco Maia, um avançado-centro dos «leões» e jogador da equipa das quinas, com 25 anos de idade, passeava calmamente o cão na calçada da Estrela quando um gato se lhes atravessou no caminho.

Talvez por se ter assustado, o felino «arremeteu contra o cão do jogador, o qual deu um pontapé no bichano», conta o jornal A Capital dessa tarde. Os populares que assistiram à cena não gostaram da atitude do avançado leonino, e protestaram. O dono do gato chegou mesmo a esbofetear João Francisco Maia, que ripostou com um pontapé.

O caso atingiu tais proporções que foi necessária a intervenção da Polícia. Os dois homens foram levados para a 30.ª esquadra – Caminho Novo, na Rua do Quelhas, mas «o dono do gato não se queria dar por vencido e não estava disposto a perdoar a ofensa feita ao bichano». Era necessário resolver a situação o quanto antes, pois João Francisco Maia estava convocado para o jogo que se disputava a partir das 18 horas desse dia.

Como os ânimos não serenassem, um dos secretários do Governador Civil de Lisboa apresentou-se na esquadra para mediar o caso. Finalmente, a situação esclareceu-se, e João Francisco Maia foi devolvido à liberdade. Caso contrário, corria o «perigo de ir jogar, escoltado por dois polícias…», lia-se em A Capital.

Portugal venceu a partida dessa tarde por 1-0, com um golo marcado aos 39 minutos por João Francisco Maia. No Stadium de Lisboa (também conhecido por Estádio de Lisboa ou Estádio do Lumiar) assistiram ao jogo cerca de 15 mil espectadores, o presidente da República, Manuel Teixeira Gomes (1860-1941) e o embaixador italiano.

Um devoto de Baco

Treze anos mais tarde, um outro caso envolvendo animais não teve um desfecho tão feliz. No dia 3 de Março de 1938, Bernardo de Mira Grosso, residente em S. Manços, no concelho de Évora, resolveu passear pelas ruas da vila com um «assanhado macaco» pertencente a uma companhia de circo que ali estava estacionada. Importa referir, como salientava O Século dois dias depois desta estória acontecer, que Bernardo de Mira Grosso era «um devoto ferrenho do Deus Baco».

Durante a caminhada, os dois cruzaram-se com um cão, e entre este e o macaco começaram a ser trocados «guinchos e uivos» antes de chegarem a vias de facto. A tudo isto assistia «com prazer» Bernardo de Mira Grosso, sem imaginar o que se seguiria.

A contenda entre o cão e o macaco tornou-se de tal forma acesa que ambos se projectaram com violência contra o homem, que caiu instantaneamente no chão. Resultado: vários ferimentos no rosto e uma perna partida. Bernardo de Mira Grosso abalou de imediato para o hospital de Évora e quanto aos animais, foi cada um para seu lado, não se preocupando com o desgraçado do «devoto ferrenho do Deus Baco».