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Durante 14 anos, conduziu milhares de peregrinos à última morada de Sãozinha. Morreu no dia 16 de Julho de 1970 na sequência de uma paralisia.

Durante 14 anos, foi ele quem conduziu os peregrinos até ao jazigo-capela de Sãozinha, no cemitério de São Francisco, em Alenquer. “Inteligente e dedicado”, como o caracterizava o jornal O Século, o cão Cicerone rapidamente se tornou muito popular entre os milhares de peregrinos que anualmente visitavam a última morada de Maria da Conceição Ferrão Pimentel Teixeira, a jovem que ficou conhecida como Sãozinha de Alenquer.

Causou, por isso, consternação a notícia da sua morte, no dia 26 de Julho de 1970, quando contava 16 anos de idade. Uns dias antes, tinha sido acometido de uma paralisia, e não melhorava. Os donos decidiram então levá-lo ao Instituto Médico Veterinário de Lisboa, onde dois anos antes tinha estado internado durante cerca de sete meses na sequência de uma operação a um quisto. Na altura, regressara a Alenquer “completamente curado”.

Nos dias de muito movimento na vila, Cicerone chegava a percorrer “uma dúzia de vezes” cerca de 500 metros para encaminhar os peregrinos ao jazigo-capela. Muitos dividiam com ele o farnel que levavam, ou compravam propositadamente bolos para lhe oferecer. Tornou-se uma verdadeira estrela, muito acarinhado por todos.

Conhecida a sua morte, foi aberta uma subscrição pública com vista ao embalsamamento do seu cadáver, que custaria 2000$00. A iniciativa teve o contributo, de entre outros, do presidente da Câmara Municipal, João Mário Ayres de Oliveira, e os pais de Sãozinha. O trabalho foi realizado por Adérito Rodrigues Frade, residente na freguesia de Santana da Carnota.