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Deolinda do Rego Novo, natural de Cinfães decidiu arranjar um marido após a morte dos pais e do irmão. Namoro durou apenas dois meses.

Costuma dizer-se que o amor não tem idade. Que o diga Deolinda do Rego Novo que aos 79 anos casou com um homem de… 37 anos. Se atualmente os casais com grandes diferenças de idade já são socialmente bem aceites, na década de 60 do século XX, a realidade era outra. Mas a proprietária Deolinda do Rego Novo não se importou com o que a língua do povo pudesse dizer do seu casamento com João Ferreira, um trabalhador rural 42 anos mais novo.

O inusitado casamento realizou-se em Fevereiro de 1965 na aldeia de São Cristóvão, no concelho de Cinfães, e foi objecto de grande curiosidade por parte da imprensa. Segundo o Diário de Moçambique, a noiva ia “muito elegante no seu vestido branco bordado a flores de laranjeira; ele, sóbrio como convinha, no seu fato preto”, na lapela do qual tinha colocado “um botão da clássica flor do matrimónio”.

Deolinda do Rego Novo nunca casara. Aos jornalistas, garantiu mesmo que “nunca tivera qualquer namoro durante os seus tempos de rapariga mais nova”. “Sou donzela, como essas garotitas novas que por aí andam”, disse. A ideia de arranjar um marido surgiu depois da morte dos pais e do irmão, também ele solteiro. Como não tinha mais familiares, começou a sentir-se muito só.

Mal anunciou ao mundo a sua intenção de casar, “os pretendentes não tardaram a aparecer”, o que permitiu a Deolinda do Rego novo escolher o noivo “calmamente”. O eleito foi João Ferreira, natural da vizinha aldeia do Calvário. O namoro durou dois meses, sempre à porta porque a menina Deolinda (como era conhecia em São Cristóvão) “não permitia ao noivo que entrasse em casa para evitar as más línguas da aldeia”. Realizado o casamento, em comunhão de bens, o casal partiu em lua-de-mel para parte incerta.

Em jeito de conclusão, o repórter do Diário de Moçambique escreveu: “A imprensa metropolitana informa, a título de curiosidade, que a menina Deolinda, após o falecimento do irmão, é a única proprietária de terras e casas de habitação, propriedades estas para as quais não tinha herdeiros”.

Perdidamente apaixonado

Não sabemos se Deolinda do Rego Novo e João Ferreira foram feliz, juntos, até ao fim dos seus dias. Mas sabemos que a história de amor entre António de Oliveira, de 69 anos, e uma rapariga de 25 anos não terminou da melhor maneira… para ele.

António Oliveira, conhecido pela alcunha de Mil Homens na sua terra natal (Santa Catarina da Serra, em Leiria) estava viúvo há um ano quando se “perdeu de amores” por uma rapariga de 25 anos, da qual ainda era parente, que regressara da cidade “fresca e bonita”. Segundo o Diário de Notícias de 17 de Novembro de 1968, a jovem “levara em si o resultado de ambientes mais desenvolvidos: um ar moderno, um corte de cabelo que lhe imprimia graça e atracção, e um figurino elegante”. Os dois parentes, com 44 anos de diferença, apaixonaram-se e casaram no dia 31 de Outubro.

Mil Homens não tinha filhos do primeiro casamento, mas tinha uma fortuna avaliada em mais de 10 mil contos. Em plenas núpcias, decidiu levantar os fundos que tinha depositados nos bancos, vendeu os porcos, os utensílios de lavoura e o recheio do “seu abastado celeiro”, num total de 240 contos. Arrendou ainda as propriedades e resolveu todos os problemas financeiros. A ideia era investir a fortuna em Angola, onde o irmão da sua jovem esposa explorava uma oficina e para onde ela queria mudar-se.

António de Oliveira só queria ver a esposa feliz. Num sábado, em vésperas da partida, a jovem disse ao marido que ia a Leiria “tratar do cabelo por causa da partida” e para lhe parecer “mais bonita”. E o marido apaixonado não só a incentivou a ir como ainda lhe deu 250 contos.

Chegou a noite, e com ela um telefonema da jovem. Era muito tarde, disse-lhe, para regressar a casa. Por isso decidira pernoitar em Leiria. E o marido apaixonado concordou. Mas o domingo passou, e a segunda-feira também, e não havia maneira de a esposa regressar a casa. Preocupado, António de Oliveira dirigiu-se à cidade na companhia de um cunhado para saber o que se tinha passado com a mulher. Ninguém sabia dela, nem a Polícia, nem a agência de viagens à qual tinham comprado os bilhetes para Angola. A mulher, a quem tinha feito o testamento e por quem estava perdidamente apaixonado, desvanecera-se.